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Carta à Comunidade

Técnico Administrativos (as) da UFPA estão em greve por valorização e pelo fortalecimento da educação pública! 


No dia 23 de fevereiro de 2026, a categoria dos (as) Técnico-Administrativos(as) em Educação (TAE) da UFPA aderiu à Greve Nacional convocada pela Fasubra (Federação nacional dos sindicatos dos Tae). Com este documento, o Comando Local de Greve (CLG) se dirige a toda a comunidade universitária e paraense, em especial todas as pessoas calouras, para explicar as razões desse movimento e reafirmar nosso compromisso com a defesa da universidade pública.

Nossa greve tem como eixo central o cumprimento integral do Termo de Acordo firmado com o Governo Federal ao final da greve de 2024. O acordo foi resultado de um processo intenso de ne­gociação e garantiu compromissos assumidos pelo próprio governo. No entanto, passados quase dois anos, mais de 18 itens seguem sem implementação ou com encaminhamentos insuficientes.

Entre os principais itens da pauta estão: a regulamentação do Reconhecimento de Saberes e Com­petências (RSC), uma espécie de gratificação que visa valorizar os servidores por sua experiência profissional adquirida e pode garantir reajustes salariais entre 5% a 23%; o reposicionamento e a aceleração na carreira para servidores(as) aposentados(as), o que também traria ganhos salariais a esse setor da categoria; a redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, sem redução salarial; a garantia do regime de plantão 12x60 para quem trabalha na madrugada; a garantia de que não haja terceirização de cargos na nossa carreira e a realização de concurso público; a defesa da democracia nas Instituições Federais de Ensino, com paridade nos colegiados e eleições efetivamente democráticas para a Reitoria.

Essas reivindicações não dizem respeito apenas a direitos corporativos. Elas estão diretamente ligadas à valorização do trabalho técnico-administrativo e à qualidade dos serviços prestados à sociedade. Somos nós que asseguramos o funcionamento de laboratórios, bibliotecas, hospitais universitários, restaurantes universitários, sistemas acadêmicos, setores administrativos e políti­cas de assistência estudantil. A precarização das condições de trabalho, a desvalorização salarial e da carreira, a ausência de concursos e o descumprimento de acordos impactam diretamente o cotidiano da universidade e o direito à educação pública de qualidade.

Defender a jornada de 30 horas, por exemplo, é defender melhores condições de trabalho, redu­ção do adoecimento e ampliação do atendimento à comunidade, pois defendemos que os serviços da universidade devem funcionar ao menos 12 horas de forma ininterrupta, garantindo os direi­tos que quem estuda no noturno possa utilizar os serviços da UFPA. Lutar contra a terceirização é preservar a memória institucional, a estabilidade do serviço público e a responsabilidade do Estado com a educação. Garantir direitos e valorizar aposentados (as) é reconhecer que a univer­sidade que temos hoje foi construída pelo trabalho de gerações anteriores.

No momento em que lutamos por direitos para nossa categoria que se refletem na qualidade das nossas universidades, sabemos que o governo Lula vem cortando verbas da educação federal nos últimos anos. Infelizmente a política do Arcabouço Fiscal manteve as verbas das universidades estagnadas. Em 2026, o orçamento será de R$ 6,9 bilhões, enquanto que o orçamento de 2014, corrigido pela inflação, era de R$14 bilhões. Isso significa que as universidades estão operando com a metade da verba que tinham há uma década.

A desvalorização que nós técnico-administrativos temos sofrido por parte do governo é fruto dessa política global de ajuste fiscal que também impacta diretamente a permanência dos estu­dantes e a qualidade do ensino, da pesquisa, da extensão e do trabalho na UFPA. É necessário a unidade de toda a comunidade acadêmica e do povo trabalhador para lutar por mais verbas para ampliar com qualidade a educação pública. Chega de verbas para banqueiros e para dívida pública, enquanto temos serviços públicos cada vez mais precários.

Localmente, também apresentaremos à Administração Superior pautas relacionadas às condi­ções de trabalho na UFPA, ao combate aos assédios e outras formas de violência, o avanço da política de assistência estudantil através de uma expansão com qualidade do Restaurante Univer­sitário diante da nova Política de Alimentação, como também uma cobrança para democratizar a gestão da universidade com a participação paritária de estudantes, técnicos e docentes em todos os órgãos deliberativos da instituição. Cobraremos da Reitoria da UFPA, da mesma forma, a me­lhoria da segurança e da iluminação nos campus, principalmente para garantir segurança para quem trabalha e estuda no noturno.

Sabemos que a greve produz impactos e não a realizamos por mera vontade. A paralisação é sempre o último recurso diante da ausência de valorização da educação pública e do descum­primento de compromissos assumidos por parte do governo federal, o principal responsável por essa greve. Seguimos abertos ao diálogo e à negociação, mas firmes na defesa da universidade pública, gratuita, democrática e socialmente referenciada. Nossa luta e crítica diante da política do governo não tem nada a ver com a extrema-direita. Sabemos bem que o projeto deles repre­senta a destruição e privatização geral dos serviços públicos. Nossa luta combate essa política reacionária.

Contamos com a compreensão e o apoio da comunidade universitária. Nossa luta é também pela valorização do trabalho na UFPA e pelo fortalecimento da educação pública como direito social.


Atenciosamente, Técnico-Administrativos(as) em Educação da UFPA em Greve .

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