Seg, 21 de Novembro de 2022 15:51

O jogo entre Inglaterra e Irã trouxe diversos exemplos de que o futebol, a Copa do Mundo e esporte de uma forma geral são também espaços para manifestações que representam as lutas políticas e sociais contemporâneas. Os gestos feitos nessa partida provavelmente serão muito mais lembrados ao longo dos próximos anos do que o placar de 6x2 para os britânicos, e dão imensa visibilidade a pautas que atingem não apenas a regimes teocráticos na Ásia, mas também a países ocidentais, como o Brasil.

As manifestações já iniciaram com a torcida do Irã, país comandado pelos Aiatolás, denominação islâmica que imprime no país uma teocracia que impõe diversas formas de repressão contra a população LGBTQIA+ e a mulheres, em especial, que não têm o direito de frequentar estádios de futebol. Esse país vive atualmente uma onda de protestos com greves operárias e mobilizações massivas contra a repressão do atual regime, desencadeados após a morte Mahsa Amini, que estava sob custódia da polícia moral iraniana, pelo uso inadequado do véu islâmico. Por isso os cartazes de torcedores pedindo liberdade para as mulheres do Irã são icônicos, numa Copa cuja FIFA tentou proibir protestos.

Classificamos como gigante o gesto dos jogadores iranianos, que se recusaram a cantar o hino nacional, numa clara manifestação de apoio às manifestações que ocorrem no país.

Também foi histórica a manifestação dos jogadores ingleses, que ajoelharam antes do início da partida, tendo Harry Kane, o capitão e principal estrela do time, carregando a braçadeira de capitão com as palavras “Sem discriminação”, mesmo após a entidade máxima do futebol proibir braçadeiras com o arco-íris, cores da luta LGBTQIA+.

Tais gestos não apenas foram direcionados aos governos teocráticos da Ásia, a exemplo do Catar, mas também contra o racismo enfrentado nos países ocidentais como a própria Inglaterra, que foi envergonhada pelo comportamento racista de milhares de torcedores, que xingaram Rashford, Sancho e Saka, jogadores negros que perderam pênaltis na derrota da Inglaterra para Itália na final da Euro 2021. No jogo de hoje, três jogadores negros marcaram pelos britânicos, num dia em que a luta contra toda forma de discriminação venceu por goleada. A Europa e os EUA considerados países muito democráticos, todos os anos barram imigrantes africanos, asiáticos e da América Latina, os deixando morrer de frio, afogados, em nítidas violações de direitos humanos.

O Sindtifes apoia as lutas e denúncias dos jogadores, não apenas nesses países teocráticos, mas também no Brasil de Bolsonaro, de herança escravocrata e ditaduras militares, que lidera estatísticas de genocídio da juventude preta e de mulheres trans, com números que chegam a ser mais sangrentos que em países teocráticos e totalitários.

- Todo apoio à luta das mulheres e da classe operária iraniana contra o regime teocrático e ditatorial dos Aiatolás.

- Todo apoio à luta das LGBTQIA+ e de negros e negras contra o preconceito e em defesa das suas vidas!

- Por um mundo sem racismo, homofobia, machismo, xenofobia e ditaduras!

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