Qua, 27 de Janeiro de 2021 15:56

A diretoria colegiada do Sindtifes Pará manifesta preocupação e indignação com as denúncias feitas pela imprensa e por trabalhadores do Complexo Hospitalar da UFPA acerca dos indícios de irregularidades que vieram à tona nos últimos dias em relação ao processo de vacinação contra a covid-19.


Recebemos a informação de que trabalhadores que atuam na linha de frente da assistência de pacientes em tratamento com síndrome gripal não foram vacinados na primeira leva de 500 doses da coronavac que chegaram para o complexo hospitalar, ao passo em que a superintendente do Complexo Hospitalar, que não atua na assistência direta aos pacientes, teve foto divulgada sendo imunizada pelo próprio secretário de saúde do município. Outros trabalhadores em situação semelhante, isto é, que atuam na parte administrativa e que são do grupo de risco (acima de 60 anos) também não foram vacinados em função da hierarquia de prioridades definida.


Repudiamos o negacionismo e a política genocida do governo federal que se expressa no atraso da aquisição de vacinas, na insuficiência de doses disponibilizadas para cobrir a primeira fase e na execução do plano de imunização. Essa política do governo Bolsonaro tem gerado disputas e conflitos internos nas unidades de saúde de todo o país.


Porém, consideramos que diante desse quadro de falta de quantidade suficiente de vacinas para atender a todos os trabalhadores da saúde, é indispensável que haja transparência e ética nos critérios de definição e aplicação do processo de vacinação, de modo a combater a ocorrência de "fura-filas" e a cultura do privilegiamento e do "jeitinho brasileiro", isto é, da corrupção, em um momento tão crítico da crise sanitária pela qual estamos passando.


Repudiamos ainda as ofensas e o desrespeito com que foram tratados trabalhadores do Hospital Bettina Ferro de Souza por parte de gestores do Complexo Hospitalar durante o processo de vacinação, momento em que servidores alegaram terem sido xingados, ofendidos e desrespeitados nos corredores e filas de vacinação no hospital Barroso Barreto durante os dias de imunização.


Solicitamos que a superintendência do Complexo Hospitalar divulgue com transparência, clareza e detalhamento o plano de vacinação dos trabalhadores dos hospitais universitários, com os critérios de prioridade, relação de nomes, locais e horários de vacinação e cronograma. Confira aqui ofício enviado à superintendência do Complexo Hospitalar sobre o assunto.


Belém, 27 de janeiro de 2021.

 

 

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