Qui, 28 de Setembro de 2017 16:49

Servidores votaram por indicativo de greve para outubro

Servidores técnico-administrativos da Universidade Federal do Pará (UFPA) decidiram em assembleia, na manhã desta quinta-feira, 28, por um indicativo de greve para o mês de outubro. A decisão foi tomada com uma condicionante: os técnicos de educação só paralisam as atividades caso outros segmentos do serviço público federal também deflagrem a greve. O movimento procura barrar medidas do governo federal como a reforma da previdência.

“O governo já prevê um pacote para os servidores. Isso significa o corte de pelo menos 60 mil cargos no Brasil”, ponderou William Mota, servidor da UFPA. “No entanto, temos que apontar o indicativo de greve unificada dos servidores públicos federais. Uma greve geral.” O indicativo da paralisação se alinha à Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra), à qual o Sindicato dos Trabalhadores das Instituições Federais de Ensino Superior no Estado do Pará (Sindtifes-PA) é filiado.

“Estamos vendo um ataque geral. Agora pode terceirizar tudo. Se o reitor quiser contratar uma universidade privada para dar aula, ele pode”, diz Reinaldo Divino, um dos coordenadores do Sindtifes-PA. “Assino embaixo em tudo o que a Fasubra está colocando. Acho que se a CUT (Central Única dos Trabalhadores) não quiser, porque está atrelada aos setores que não querem se mobilizar, a gente tem é que colocar abaixo essas reformas aí.”

CALENDÁRIO

Para a pauta de reivindicações da greve, os servidores votaram pela inclusão de uma proposta de reajuste salarial já para 2018. Além disso, também aprovaram um calendário nacional de manifestações para todo o mês de outubro. No próximo dia 3, os técnicos devem realizar ato em defesa do serviço público, protestando em frente ao Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), onde servidores denunciam a atual precariedade dos serviços.

Já no dia 10 de outubro, haverá ato em frente ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O objetivo é barrar o fechamento de zonas eleitorais por todo o Brasil. No dia 19, um novo ato, desta vez defesa da educação pública. E, por fim, no dia 27, manifestação nacional contra as medidas do governo de Michel Temer (PMDB).

Caso concretizada, a greve deve paralisar as atividades de 2.500 técnico-administrativos apenas na UFPA. A decisão tem impacto sobre pelo menos 48 mil estudantes da graduação e da pós-graduação, distribuídos em 12 campi, em Belém e no interior do Estado, além dos hospitais universitários João de Barros Barreto e Bettina Ferro.

UFRA

Os trabalhadores da UFPA acompanharam os servidores da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), que também decidiram pelo indicativo de greve na última quarta, 27. Como na UFPA, a paralisação da Ufra está condicionada à adesão de outros segmentos do serviço público federal.

“Vivemos muitos motivos para entrar em greve. Buscam acabar com o direito dos trabalhadores e com o serviço público no Brasil”, explicou Moacir Miranda, diretor de assuntos jurídicos do Sindtifes. “Avaliamos na Ufra que só entraríamos em greve com o conjunto dos servidores públicos federais para barrar esse processo contra os trabalhadores.”

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